quinta-feira, 15 de julho de 2010

O ENTALHADOR

Khing, o mestre entalhador, fez uma armação para sinos.



De madeira preciosa. Quando terminou,


Todos que aquilo viram ficaram surpresos.


Disseram


Que deveria ser obra dos espíritos.


O Príncipe de Lu disse ao mestre entalhador:


“Qual é o seu seu segredo?”






Khing respondeu: Sou apenas operário:


Não tenho segredos. Há só isso:


Quando comecei a pensar no trabalho que me ordenaste


Protegi meu espírito, não o desperdicei


Em ninharias, que não vinham ao caso.






Jejuei, a fim de pôr


Meu coração em repouso.


Depois de jejuar três dias,


Esqueci-me do lucro e do sucesso.


Depois de cinco dias


Esqueci-me do louvor e das críticas.


Depois de sete dias


Esqueci-me do meu corpo


Com rodos os seus membros.






Nesta época, rodo pensamento de Vossa Alteza


E da corte se evanescera.


Tudo aquilo que me distraía do trabalho


Desaparecera.


Eu me recolhera ao único pensamento


Da armação do sino.






Depois, fui à floresta


Ver as árvores em sua própria condição natural.


Quando a árvore certa apareceu a meus olhos,


A armação do sino também apareceu, nitidamente,


Sem qualquer dúvida.


Tudo o que tinha a fazer era esticar a mão


E começar.






Se eu não houvesse encontrado esta determinada árvore


Não haveria


Qualquer armação para o sino.






O que aconteceu?


Meu próprio pensamento unificado


Encontrou o potencial escondido na madeira;


Deste encontro ao vivo surgiu a obra


Que você atribui aos espíritos.

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